CARNAVAL
Teceremos, neste artigo, breve comentário sobre esta
festa popular a que denominamos CARNAVAL.
Embora registre-se, na História Moderna, que essa
festa popular teve origem por volta dos séculos XV e XVI, nos Açores de Porto Cale, isto é, em Portugal,
a verdade é que essa festa remonta a tempos bem mais pretéritos. Por quê?
Porque essa festa é eminentemente de origem pagã. Encontrou acolhida nos
estertores do império romano, quando esse império já bruxuleava,
irremediavelmente, nas mãos dos bárbaros.
Os bárbaros, como nós sabemos, eram povos pagãos,
assim como os povos antigos em geral. E o CARNAVAL é uma festa popular
eminentemente pagã, a qual, quando os bárbaros se apossaram de Roma, foi, como
disse acima, acolhida por aquele império bruxuleante.
Sabemos também que o império romano, nos dias de sua
queda, transferiu metade do seu poder imperial para Constantinopla. Por isso,
sobreviveu, não mais como uma força política, mas como uma força
bélico-religiosa. Mas Roma, para não sucumbir, resolveu atrelar-se à Igreja
Cristã, e, assim, inseriu o CARNAVAL no calendário de suas festas pagãs.
A princípio, o CARNAVAL era uma festa popular
ingênua, sem qualquer malícia. Era uma espécie de PASTORIL. Porém, mais tarde,
essa festa foi adquirindo contornos de festa mundana, até que deu ensejo a que
as pessoas entrassem nos folguedos sem se importarem com suas responsabilidades
éticas. Isto fazia parte da festa. Até que se verificou que essa festa tinha o
poder de enlouquecer as pessoas. Não era um enlouquecer no sentido de deixar a
pessoa em estado de alienação, mas sim no sentido de levar as pessoas a perder
toda a inibição. Para isso, os “carnavalescos” se divertiam jogando água de
limão-de-cheiro uns sobre os outros. Depois, passaram a jogar, uns sobre os
outros, “perfume-fedor”, tornando a festa muito bagunçada, pois a bagunça fazia
parte da festa.
A principal característica dessa festa era, pois, a
falta de organização. Era um contra-senso usar a expressão “carnaval
organizado”, pois o carnaval, para ser carnaval teria que ser desorganizado,
isto é, cada pessoa brincava a seu modo. Ninguém censurava ninguém, pois
“oficialmente” as pessoas, naquelas brincadeiras, entravam em estado de
alienação, ou de loucura transitória. Essa loucura transitória, em francês, é
folly. Daí vem a palavra folia. E os que entram na folia são chamados foliões.
De sorte que por volta dos séculos XV e XVI essas
festas chegaram à França, Espanha e Portugal, onde adquiriu os contornos de
festa religiosa com o nome de ENTRUDO
No calendário católico, o ENTRUDO passou a ser festejado na TERÇA-FEIRA,
véspera da QUARTA-FEIRA-DE-CINZAS.
A quarta-feira-de-cinzas é o dia em que o cristão
faz a sua reflexão, através de exame de consciência, e, descobrindo-se pecador,
entra em estado de tristeza, jejum e pano de saco. Então, já que o cristão vai
entrar nessa faze de contristamento, a igreja passou a usar a véspera desse dia
para as pessoas se esbaldarem, como que se despedindo da carne. Por quê? Porque a carne nada vale. Dessa
expressão “a carne nada vale” veio a forma sincopada car (de carne); na
(de nada) val (de vale). Formou-se a palavra CARNAVAL, que substituiu a
antiga palavra ENTRUDO.
No Brasil, essa festa, o CARNAVAL, foi recebendo
retoques de organização, mas os seus organizadores tinham o cuidado para que o
caráter individualístico fosse mantido, ou seja, as pessoas poderiam brincar,
cada um a seu modo. Ninguém era subordinado a ninguém. Então, nos primórdios do
“carnaval organizado”, surgiram, paradoxalmente, os primeiros sinais de
organicidade.
A primeira “organização de carnaval” de que se tem
notícia, denominou-se Zé Pereira. O Zé Pereira, na sua simplicidade, consistia
de uma única pessoa tocando um tambor, rua acima, rua abaixo, enquanto algumas
pessoas o acompanhavam puerilmente, cantando:
Olhe o Zé
Pereira
Olhe
o Carnaval
Olhe
o Zé Pereira
Boca
de maracujá!
No Brasil, o Zé Pereira foi inventado no Estado de
Santa Catarina. Era uma festa revestida da mais completa ingenuidade. E, em
Florianópolis, esse ingênuo Zé Pereira
ainda é visto em alguns bairros durante o Carnaval de hoje.
Mais tarde elaborou-se uma organização já um pouco
mais sofisticada, a que se deu o nome de cordão. As ruas eram cheias de
cordões. O cordão era um pequeno grupo de pessoas, sem qualquer fantasia. Só
pulando nas ruas, de mãos dadas, sem nenhum sinal de sensualidade. Mais tarde,
porém, esses cordões foram crescendo em número de pessoas e se organizando
melhor. Nele já havia pessoas mascaradas, e muitos deles com o rosto simplesmente
coberto com um pano, de sorte que não podiam ser identificadas.
O cordão que ficou famoso foi o Cordão da Bola
Preta, que ainda hoje desfila, um tanto melancolicamente, nos carnavais
cariocas.
Depois, o carnaval organizou-se em Ranchos, que se
organizaram a partir do ano de 1872, no bairro da Saúde, no Rio de Janeiro.
Os ranchos foram organizados por trabalhadores do
cais do Porto do Rio de Janeiro, os quais, em sua maioria, moravam no bairro da
Saúde. Por isso, organizaram-se naquele bairro.
Os mais famosos ranchos foram:
v Ameno Resedá
v Flor de Abacate
v Mimosas Cravina
v Dois de Ouro
v Aliados de Quintino
v Unidos do Cunha
v Azulões da Torre
v União dos Caçadores
v Recreio da Saúde
Organização maior e mais complexa que os cordões são
os blocos.
Há duas espécies de blocos: BLOCOS DE ENREDO
e BLOCOS DE EMPOLGAÇÃO
a) Blocos de enredo: São blocos
já um tanto sofisticados. Seus quesitos são submetidos a julgamento pelas
Comissões Julgadoras. Que quesitos são estes?
v Evolução
v Samba
v Bateria
v Fantasia
v Abre-alas
v Adereços
v Estandarte
v Coreografia do mestre-sala e
porta-bandeira
b) Bloco de empolgação: Estes
têm por característica o luxo. Seus quesitos principais são:
v Empolgação
v Bateria
v Música
v Adereços
v Conjunto
Mas, de todos esses
quesitos, o principal é o quesito empolgação.
Os principais blocos de empolgação, no Rio de
Janeiro, são:
v Cacique de Ramos
v Bafo da Onça e
v Boêmios de Irajá
Modernamente, o CARNAVAL está organizado em diversas
modalidades, atendendo mais as tradições locais nas diversas regiões do Brasil,
tais como:
v As Grandes Sociedades:
Reunião de diversas sociedades, tais como: Clube Tenente do Diabo; Clube
Turunas de Monte Alegre; Clube Pierrots da Caverna; Clube dos Embaixadores,
etc.
v Clubes de frevo,
principalmente no Recife.
v Trio elétrico.
v Afoxé.
v Blocos afro
v Blocos do índio.
Finalmente, chegou o CARNAVAL no clímax de sua organização moderna,
incorporado nas denominadas ESCOLAS DE SAMBA.
As Escolas de Samba nada mais são que uma evolução
na organização dos blocos carnavalescos. Essa “reforma” começou no ano de 1917,
quando foi gravado o primeiro samba no Rio de Janeiro, intitulado Pelo
Telefone.
Até 1917, o samba não era o ritmo principal do
cancioneiro brasileiro. Mas a partir daquele ano, em razão da gravação do
primeiro samba, que foi Pelo Telefone, o samba tomou corpo e suplantou todos os
demais ritmos até então adotados pelos carnavais. Foi daí que os antigos blocos
carnavalescos passaram a designar-se Escolas de Samba.
O primeiro concurso de Escolas de samba realizou-se
no ano de 1932, quando a Estação Primeira da Mangueira foi campeã.
A organização das Escolas de Samba atingiu um
sofisticado grau de organização, chegando ao ponto em que hoje se vê. Sua
estrutura básica compõe-se dos seguintes elementos:
v Comissão de frentes
v Carro abre-alas
v Mestre-sala
v Porta-bandeira
v Ala dos compositores
v Destaques
v Grupo de show
v Passistas isolados
v Bateria e
v Harmonia
As principais escolas de samba, hoje, no Rio de
Janeiro, são:
v Acadêmicos do Salgueiro
v Unidos de Vila Isabel
v Estação Primeira da
Mangueira
v Mocidade Independente de
Padre Miguel
v Estácio de Sá
v Imperatriz Leopoldinense
v Império Serrano
v Beija-Flor de Nilópolis
v Caprichosos de Pilares
v Portela.
Hodiernamente, duas escolas de samba “do outro lado
da poça”, isto é, do outro lado da Baía de Guanabara, integram o conjunto das
escolas de samba do Rio de Janeiro. São elas:
As principais escolas de samba, hoje, em São Paulo,
são:
v Camisa Verde e Branco
v Nenê da Vila Matilde
v Vai-Vai
v Mocidade Alegre
v Rosas de Ouro
v Unidos de Peruche
Há muitas outras escolas de Samba em vários outros
diversos Estados Brasileiros: Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, etc. Na Bahia, a
principal característica do carnaval é a forte tendência não só para a música
afro, mas também para as religiões afro. Estão misturando tudo. Hoje, por
exemplo, o carnaval baiano tem como ponto de partida a lavagem das escadarias
da Igreja do Senhor do Bom Fim, no Fim do Ano. O carnaval pernambucano tem por
característica o ritmo de frevo. E assim por diante.
Quero lembrar que durante muitos séculos o ENTRUDO,
nome antigo do CARNAVAL, era festa realizada em apenas um dia: Terça-Feira,
véspera da Quarta-Feira-de-Cinzas.
Com o passar dos anos foram “enforcando” a
Segunda-Feira e fazendo o carnaval em três dias: Domingo, Segunda-Feira e
Terça-Feira. Depois, retrocederam para o Sábado. Atualmente, já há alguns
lugares em que o carnaval começa na Sexta-Feira. Vamos ver aonde querem chegar!
Como se vê, o assunto é longo. Tudo o que tínhamos a
dizer sobre CARNAVAL foi dito. Falta-nos agora adequar o seu conteúdo aos
parâmetros da Palavra de Deus.
O Nosso Salvador, Senhor Jesus, afirmou solenemente
o seguinte:
“O meu reino não é deste mundo”
(João 18:38).
Ora, tudo o que até aqui vimos refere-se aos reinos
deste mundo. Aqui, onde estamos, os reinos são efêmeros, instáveis, injustos,
violentos, corruptos. Neste mundo, tudo é vaidade; tudo é mentira; tudo é
ilusão. Mas Jesus disse:
“O meu reino não é deste mundo”.
Resta-nos
saber em qual dos dois reinos nós ansiamos por viver: Nos reinos deste mundo,
ou no reino de Deus.
O
CARNAVAL, seus mestres-salas, suas escolas de samba, seus adereços, são coisas
deste mundo. Precisamos estar em comunhão com Deus em intensidade tal que o
nosso ser não sinta o menor desejo de participar dessa festa pagã e idolátrica.
O
CARNAVAL, que antigamente era uma ingênua festinha de roça, transformou-se, com
o passar dos tempos, na grande festa da
carne.
A carne nada vale. A humanidade não sabe que essa carne que nada vale tem, na verdade,
extraordinário valor, pois ela é o TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO.
b
Tudo
o que sabemos sobre a festa dos reinos deste mundo, chamada CARNAVAL, sabemos a
título de conhecimento cultural. Não nos sentimos atraídos para essa festa. Nós
somos servos de Deus, pertencemos ao reino de Deus, e não aos reinos do mundo.
Portanto, o CARNAVAL não significa nada para nós. Louvado seja Deus!
Se
uma pessoa está na igreja e sente desejo de participar dos festejos
carnavalescos, essa pessoa ainda não recebeu, totalmente, em seu coração, a
pessoa de Jesus, o Filho de Deus. Essa pessoa deve orar e buscar o auxílio do
Espírito Santo, para que possa se firmar na Rocha, que é Cristo.
“Bem-aventurado
aquele cujo prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” (Salmo 1:1-2).
Pastor JOÃO BATISTA DE SOUZA